quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Parapente - Parque da Atalaia (Itajaí/SC)



Você sente medo, frio na barriga e...
vontade.
Você pensa em voltar mas deseja ir.
Você se amarra, confia, se joga...
se deixa levar.
Você perde o chão, perde o medo.
Perde a noção...
...de ser humano. Homem. Vira natureza.
Bixo. Passarinho. Livre.

O coração bate. De tambor vira pandero.
A perna adormece, o pensamento flutua.
Dirigidos por uma mão que não é sua.
Deixa-se guiar, por alguém igual a você.
De carona com o vento.

E sente o que jamais poderia ter sentido.
É como pedir perdão... uma oração.
Agradecer!
Porque "nessa"
quem não caminha, pode;
quem não enxerga,  sente;
quem não escuta, vê.

[...] Voar como passarinho e ver o mundo fora do ninho.
Bonito, como é gostoso,
saber que em meio a tanta desgraça
a natureza ainda abraça, quem vai ao encontro dela. [...]

VÍDEO:


Obrigada Betina e Claudio pelo respeito e atenção.
Obrigada Gringo pela diversão, e as conversas paralelas aos vôos.
"Valeuzão" André, pelo companheirismo no vôo, e pela partilha de tanta coisa lá em cima.

Grasi (Mana) e Alan: Podemos não ter nascido pra isso, nem termos amigos experientes que nos guiem, muito menos sermos "expert" em aventuras.
Mas com vocês aprendi que por mais desajeitada que eu seja,
sempre existe um jeitinho pra realizar os meus/nossos desejos, e sou grata a vocês por isso.
Por descobrir junto comigo que basta ter um pouquinho de vontade, e companheiros tão malucos quanto nós mesmos pra chegarmos onde quisermos.
E Fran... Que orgulho :)




 


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Agora é 20!

Quando escrevi isso era quase dia 14... Mas não deu tempo de postar.
Mas como o vento ainda não levou, vou compartilhar hoje mesmo:

Não tenho lembranças da minha primeira bolsa, mas sei que fiquei dentro dela por nove meses. E pra dentro dela quis voltar milhões de vezes...
Quando saí de dentro dessa minha primeira bolsa, ganhei outra. Quem carregava essa era minha mãe. Nesta eu não ficava dentro, pois ela levava em seu interior a minha mamadeira, minha fralda plástica, meu tip-top reserva.
Depois, quando comecei a andar, o meu negócio passou a ser bagunçar as bolsas, e tudo o que via pela frente.
Daí ganhei uma lancheira, pra levar o lanchinho do jardim, onde a alegria maior era o dia de levar a sacola do brinquedo.
Até que a coisa evoluiu pra mochila, da qual tive muitas: comecei com as de bichinhos, depois entrei na onda do cor-de-rosa (a “cor das meninas”).  Foi nessa fase também que eu até tentei fugir com uma malinha nas costas, mas não passei da esquina... L Depois, fui para o modelo transversal na tentativa de parecer descolada, bem quando entrei na adolescência... 
Quando vi, estava entrando numa fase com tantas coisas na cabeça que, quando me dei conta, estava sem mochila no ensino médio, e passei a usar qualquer coisa. Daí as minhas amigas me convenceram a “tomar jeito”. Comprei uma bolsa, dessas bem grandes. Era uma dificuldade carregar as apostilas num ombro só, mas tudo valia a pena para ficar um pouco mais parecida com o que se via nas revistas TEENS. Dentro dessa bolsa tinha um milhão de coisas, inclusive outra bolsa: a bolsinha de maquiagem. Nessa fase peguei muitas bolsas emprestadas pra ir pra balada...
Esse tempo passou e comecei a trabalhar. Comprei bolsas novas, mas nunca gostava de nenhuma. Daí eu comprava outras.
Quando então comprei uma bolsa, ou melhor, uma MOCHILA de viagem e acampamento, que passou comigo pelos lugares mais lindos que a maioridade poderia me permitir chegar.
Perdi algumas bagagens, arrebentei alças de bolsas que me pareciam maravilhosas mas não passavam de sacos de lixo. Joguei malas sem alça fora, remendei alguns furos de mochilas que eu não consegui me desfazer. Doei uma bolsa... de sangue.
Agora estou na faculdade... as vezes com uma mochila rasgada, às vezes  com todo o material enfiado na bolsa de ombro mesmo, e outras vezes até sem bolsa, com os cadernos na mão.
Engraçado é que mesmo sabendo que vai acontecer, não consigo imaginar o dia em que sairei de casa pra juntar minhas bagagens com as de outra pessoa. Imagine só o meu ventre sendo a bolsinha de uma nova vida! Mas calma.... vamos deixar essa hora chegar bem devagar....
Em vinte anos de bolsas e mochilas nas costas, eu armazeno muitas coisas que, às vezes, se acumulam tanto que a gente acaba se esquecendo delas.
Ainda bem que existem datas assim, como essa de hoje, que nos fazem mexer em tudo e lembrar o que nos faz ter vontade de continuar vivendo, e sermos melhores a cada dia.
São as lembranças do que nos faz bem, como a casa em que moramos, os lugares e pessoas com quem estudamos, trabalhamos, passamos momentos divertidos ou nos ajudaram nos tempos difíceis. Nos fazem dar valor à família que nos segura e nos ajuda a caminhar e aos amigos que nos acompanham e também mudam nossa rotina de vez em quando.
O número de parabéns que ganhamos no dia em que completamos um ano a mais de vida, deve sempre ser maior a cada ano, pois eles expressam matematicamente a qualidade de nossas ações nesse mundo, e nos tornam importantes na vida das pessoas. É a soma dos que já fazem parte da nossa vida, e dos que vão chegando nela. Chaveiros que devemos colecionar.
Não é fácil, e dificilmente eu consigo. Mas penso que devemos ser sementes boas, plantadas nos corações das pessoas. Devemos semear quem somos e crescer. Devemos ser um solo fértil para outras sementes e precisamos cultivar um lindo jardim para não acabarmos em terra seca.
Por isso, comemoro hoje: os amigos que trago na bagagem, a família que me ajuda a segurar as alças, e a amiga que aprendi e aprendo a ser a cada dia consertando rasgos e dividindo pesos.
Comemoro hoje o meu aniversário!
E se algum dia eu não tiver mais flores das quais falar, não terei mais motivos para comemorar.
Obrigada Deus.

Pra quem nunca ouviu um grande desastre, gravei a música "Velha e Louca" da Mallu Magalhães, porque um dos meus objetivos pra esse ano é: perder certas vergonhas. Poderia ter ficado melhor, mas acabei de gravar e como os vizinhos já estão dormindo, não posso dar uma de Witney Houston né?! :)


Beijoca. Bru.